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Sri Ramanuja Acharya apareceu em 1017 D.C. perto de Madras, sul da India, numa família de eruditos vedicos. Os devotos de Deus [Sri Vaisnavas] dizem que ele era uma encarnação de Lakshmana [irmao do Deus Suprremo]. A palavra Ramanuja significa “seguidor de Rama.” Ele recebeu esse nome porque Lakshmana sempre segue e serve Seu irmão O Senhor Ramacandra.

Um menino de espantosa inteligência, Ramanuja rapidamente aprendeu sanscrito, logica, e os Vedas. Foi iniciado [diksha] por um mestre espiritual e se casou com a idade de dezesseis anos. Ramanuja estudou com o mestre espiritual [guru] impersonalista [mayavadi], Yadava Prakash, a fim de dominar a filosofia impersonalista [mayavadi] e derrotá-la. Quando o brilhante Ramanuja continuamente ficava refutando seus argumentos impersonalistas [mayavadis], Yadava Prakash tentou assassiná-lo. Sem obter sucesso nesse plano, Yadava Prakash expulsou Ramanuja do templo [ashram]. Antes de sair, Ramanuja derrotou completamente a teoria de seu mestre [guru] da unidade e nao distinção.

Ramanuja explicou: “Enquanto certa unidade pode ser vista no inter-relacionamento de todas as coisas, ainda assim tudo dentro do universo tem sua própria realidade distinta. Perolas ensartadas num fio compartilham da unidade; coletivamente elas formam um todo orgânico – um colar. Mesmo assim, cada perola individual tem suas próprias qualidades singulares. Enquanto espírito, matéria, e Deus podem ser vistos como um só todo orgânico, cada qual tem suas qualidades singulares. Portanto, o principio de unidade absoluta de Shankara nao pode se sustentar. Em vez disso, o princípio da unidade caracterizada por diferentes qualidades deve ser aceito.”

Algum tempo depois, Yadava Prakash encontrou Kuresh, um estudante de Ramanuja que tinha memória fotográfica. Citando escrituras autorizadas [Shrutis], a melhor prova vedica, Kuresh o convenceu de que brahman tem forma transcendental e qualidades advindas da realidade final maxima – a suprema Verdade Absoluta conhecida como O Senhor Narayana.

Ramanuja aceitava qualquer um como seu discipulo independente de casta. Usando o metodo da purificacao pancha samskara, transformava pessoas comuns [shudras] em sacerdotes brahmanas. Estabeleceu que a posição de um devoto de Deus [Vaisnava] ultrapassa todas limitacoes e considerações sociais. Identificando-se como um servo, Ramanuja ensinou a adoração aos devotos de Deus [Vaisnavas]. Diversas vezes sacerdotes brahmanas invejosos tentaram envenenar Ramanuja.

Para ensinar desapego a um discipulo, Ramanuja encenou a seguinte demonstração. Falou para o discípulo criar confusão entre os renunciados sannyasis trocando as roupas deles num balneario [ghat]. Quando os renunciados sannyasis, que eram grandes eruditos, começaram a usar as roupas um do outro, iniciou-se uma grande discussão. O discípulo podia ver claramente que os “renunciantes” estavam apegados a um pouco de pano.

Entao Ramanuja enviou o discípulo para a casa de seu discípulo casado [grhasta], Dhanurdasa. Ramanuja ocupou Dhanurdasa no templo a fim de assegurar que este não estaria em casa. Seguindo a ordem de Ramanuja, o discípulo começou a roubar algumas jóias da casta esposa de Dhanurdasa, que estava dormindo. Depois que o discipulo pegou os ornamentos de um lado do corpo dela, de repente ela se virou. O assustado discípulo fugiu pela janela. Porem esperou do lado de fora para testemunhar a reação de Dhanurdasa. Ao retornar para casa, Dhanurdasa em conversa ouviu de sua esposa.

“Estou preocupada que o templo esteja precisando de dinheiro,” disse sua esposa.
“O que a faz pensar assim?” indagou Dhanurdasa.
“É porque enquanto eu dormia um dos devotos do templo veio pela janela e comecou a roubar as jóias de meu corpo. Para ir tao longe assim, penso que esses pobres santos devem estar desesperadamente necessitados de dinheiro.”
“E o que fizeste enquanto ele roubava tuas jóias?”
“Eu me virei, mas ele fugiu pela janela.”
“Por que fizeste isso?” disse Dhanurdasa.
“Eu nao quis espantá-lo. So me virei para que ele pudesse pegar as jóias do outro lado de meu corpo também.”
Dhanurdasa repreendeu sua esposa, “Se nao fosses tao afetada pelo falso-ego, terias dado todas as tuas jóias a ele. Agora que vamos fazer? Nos falhamos miseravelmente.”
A esposa dele lamentava, “Tens razão. Foi so meu orgulho que me impediu de entregar tudo. Como jamais haveremos de fazer algum avanço?”

Vendo tudo isso, o discipulo de Ramanuja ficou espantado ante a humildade e rendição destes devotos casados [grhastas]. Ramanuja explicou o significado desses dois devotos: as roupas dos renuciados sannyasis e as jóias da esposa. Os renunciados sannyasis eram tao apegados a uns poucos trapos de pano esfarrapado que brigaram por causa disso. Porém os devotos casados [grhastas] eram desapegados, até de jóias valiosas se fossem necessarias ao serviço do Senhor Krishna.

Ramanujacharya fundou a Sri sampradaya, uma das quatro [Brahma, Sri, Kumara, Rudra] principais sucessões discipulares dos devotos de Deus [vaisnavas]. Esta sucessão discipular [sampradaya] propala a filosofia Vedanta do monismo qualificado [visistadvaita-vada]. Os devotos de Deus da Gaudiya e os devotos de Deus da Sri Vaisnavismo compartilham de muitos ensinamentos e praticas. Os devotos de Deus da Gaudiya pegaram de Ramanuja sua explicação de Deus, e o verbatim da jiva: “O principio de Deus é como um fogo ardente, enquanto a alma [jiva] vivente é como uma fagulha – uma pequena parte de Deus.”

Ambas aceitam tres classes de almas [jivas]: as eternamente liberadas, as eternamente condicionadas, e as libertas pela devoção e pelas regras e regulações [sadhana]. Ramanuja ensinava a servir Deus na morada eterna [Vaikuntha] com temor e reverência no humor de senhor e servo [dasya rasa]. Os devotos de Deus da Gaudiya Vaisnavas ensinam o serviço prático e amoroso [madhurya rasa] ao Deus Supremo Radha-Madhava dentro dos bosques de Vrindavana.

Ramanujacharya escreveu muitos comentarios famosos sobre os Upanisads, Puranas e o Bhagavad-gita. Sri Bhasya, seu comentario sobre o Vedanta, apresenta um formidavel desafio ao comentario impersonalista de Shankaracharya. Até hoje em dia, a sucessão discipular Sri Vaisnava de Ramanuja continua a manter as tradições de adoração ao Deus supremo Krishna no altar e da filosofia sistematizada pelo fundador. Seu túmulo sagrado samadhi fica em Sri Rangam.

Ramanujacharya [1017-1137] foi o principal mestre [acharya] na sucessão discipular Sri-sampradaya, uma das quatro linhas principais de mestres e discipulos que são devotos de Deus [vaisnavas]. Seu comentario do Vedanta-sutra — Sri-bhasya — estabelece a qualificada doutrina conhecida como nao-dualismo [Visistadvaita]. Forte proponente da filosofia do personalismo, ele ensinou que embora o Senhor Supremo Krishna e as almas individuais sejam qualitativamente unos, ainda assim há uma diferença entre eles, porque o Deus Supremo Krishna é infinito e nós as entidades vivas somos infinitesimais. Srila Ramanujacharya viajou extensivamente ao longo da Índia, ensinando o personalismo e derrotando os proponentes da filosofia monistica. Fundou setenta e quatro templos de devotos de Deus [Sri Vaisnavismo] aceitou como seus discipulos setecentos monges renunciados [sannyasis], doze mil estudantes celibatarios [brahmacharis], e milhares de devotos casados [grhastas], inclusive os reis e proprietarios de abastadas terras.

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Danilo Nicolace [Nayana]





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